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GLOMERULONEFRITE EM CONTEXTO INFECCIOSO: UM DESAFIO DIAGNÓSTICO
Doenças Renais - E-Poster
Congresso ID: P793 - Resumo ID: 1093
USL Matosinhos - Hospital Pedro Hispano
Carolina Paiva, Sara Castelo-Branco, Filipa Guimarães, Teresa Santos, João Pinto, Eduardo Eiras
INTRODUÇÃO: O diagnóstico diferencial das glomeulonefrites (GN) em contexto infecioso inclui a GN pós estreptococica, a GN infeciosa não estreptocócica e a nefropatia de IgA. A sua distinção pode ser um desafio, uma vez que partilham achados clínicos e patológicos. A relação temporal entre os sintomas de infeção e o desenvolvimento de GN, bem como o curso deste quadro infecioso podem ser uma pista importante. No entanto o diagnóstico definitivo é histológico.
CASO CLÍNICO: Apresenta-se o caso de uma mulher de 63 anos com antecedentes de hipotiroidismo, doença mitro-aórtica reumática, fibrilhação auricular permanente hipocoagulada varfarina. Recorreu ao serviço de urgência por náuseas, hematúria e dor lombar. Referia também quadro de tosse produtiva, rinorreia e febre nas duas semanas anteriores. À admissão apresentava-se hemodinamicamente estável, apirética e sem sinais de desidratação. Analiticamente apresentava lesão renal aguda (Cr 1.7mg/dL) e exame sumário de urina com hematoproteinuria (18% de eritrócitos dismórficos). Do estudo efetuado: ecografia reno-vesical excluiu causa obstrutiva; razão Albumina/Creatinina 621mg/g, razão Proteínas/Creatinina 0,97 e proteínas em urina de 24h 1085.6mg/24h; TASO negativo, serologias VIH, VHC e VHB negativas; VS 49 mm/1ªh; ANAs, ANCAs e Anti-MBG negativos, sem consumo de complemento, IgA aumentada 598mg/dL (N<517); eletroforese de proteínas com discreta elevação da fração beta, sem picos monoclonais, imunoeletroforese sérica sem alterações; hemoculturas amicrobianas. Realizada biópsia renal que mostrou proliferação focal, aumento da matriz mesangial, e lesões de necrose tubular aguda. O estudo de imunofluorescência mostrou deposição granular mesangial de IgA (+++), C3c (+++) e C1q (+) compatível com Nefropatia de IgA.
Durante o internamento observou-se resolução da hematúria e melhoria da função renal com medidas gerais de suporte, nomeadamente hidratação.
CONCLUSÃO: A Nefropatia de IgA é a GN mais frequente e ocorre habitualmente no decurso de infeção (“sinfaringítica”), ao contrário da GN pós-infecciosa que ocorre habitualmente algumas semanas após a intercorrência infeciosa. No entanto tem-se observado uma alteração no padrão típico da GN infeciosa na população idosa, sendo atualmente comum ocorrer durante o processo infeccioso. Nestes doentes também se tem observado um número crescente de casos de GN IgA dominante quando associada a infeção por estafilococos o que torna esta entidade um importante diagnóstico diferencial a excluir num caso de GN aguda.