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INFEÇÕES URINÁRIAS DA COMUNIDADE: UM ESTUDO COMPARATIVO EM 2 ANOS
Doenças infeciosas e parasitárias - Comunicação
Congresso ID: CO099 - Resumo ID: 1194
Hospital da Luz Arrábida
Marli Cruz, Rui Barros, Betânia Ferreira, António Carneiro
Introdução
As infeções do trato urinário (ITU) são frequentes e umas das indicações mais comum para prescrição de antibióticos. Este trabalho pretende contribuir para compreender os padrões de resistência dos agentes mais frequentemente associados a ITU da comunidade (IUC) e antibióticos prescritos, de forma a levar a uma prescrição terapêutica mais ajustada à comunidade na qual o hospital está inserido.

Objetivo
Comparar a evolução das características das IUC, ao longo de 2 anos, nomeadamente: frequência dos agentes isolados, resistência aos antimicrobianos e padrão de prescrição de antibióticos.

Material e métodos
Estudo retrospetivo, realizado em 2 períodos de 6 meses, em 2013 e 2015, dos doentes avaliados no atendimento urgente, com o diagnóstico confirmado de IUC.
Efetuada a revisão individual do processo clínico, resultados microbiológicos e prescrições terapêuticas. Incluídos apenas os doentes com o diagnóstico de IUC (total 1928), excluindo-se os indivíduos algaliados, as grávidas e as infeções associadas aos cuidados de saúde.

Resultados
Em 6 meses de 2013 foram avaliados 940 casos de IUC versus 988 episódios em igual período de 2015. Em 2013 foram colhidas 360 uroculturas com um aumento em 2015 para 437 (ie, 38% vs 44% dos casos, respetivamente), com isolamento de agente em 53% e 60%. Em 2013 e 2015, o agente mais frequentemente isolado foi a Escherichia coli, correspondendo a 86% e 80% dos isolamentos, respetivamente. A análise do perfil de sensibilidades revelou, em 2013 vs 2015, valores de 90% vs >98% para a nitrofurantoína e cefuroxima, 86% vs 94% para as quinolonas, 85% vs 85% para a amoxicilina-clavulanato e de 73% vs 83% para o co-trimoxazole. Foram prescritos antibióticos em 98% dos casos nos dois anos, sendo as quinolonas os antibióticos mais prescritos (45% vs 40%: 2013 vs 2015), seguidas pela amoxicilina-clavulanato (23% vs 24%), fosfomicina (17% vs 23%), nitrofurantoína (2% vs 7%) e co-trimoxazole (9% vs 2%).

Conclusão
Tal como esperado o agente mais isolado foi a Escherichia coli, com documentação de elevada sensibilidade para a maioria dos antibióticos testados.
Nestes dois anos, destaca-se a diminuição na prescrição de quinolonas e co-trimoxazole e aumento significativo na prescrição de fosfomicina e nitrofurantoína, o que se aproxima das normas nacionais.
Verificou-se diminuição das resistências, nomeadamente às quinolonas, o que é um dado contrário à tendência nacional e europeia, levantando questões quanto à recomendação de não utilização destes antibióticos como 1ª linha.
A prescrição de antibioterapia adequada é essencial para prevenir recorrências e reduzir a resistência aos antibacterianos. Também, a formação contínua dos médicos poderá contribuir para otimizar quer a adequação do pedido de uroculturas, quer a terapêutica instituída.