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CLOZAPINA: UMA CAUSA INVULGAR DE NEFRITE INTERSTICIAL AGUDA
Doenças Renais - E-Poster
Congresso ID: P787 - Resumo ID: 308
Serviço de Medicina Interna, Centro Hospitalar Universitário de São João
Pedro Rodrigues, Filipe Pinheiro, Ana Ferreira, José Carlos Martins, Jorge Almeida
Introdução:
A nefrite intersticial aguda (NIA) é uma causa frequente de lesão renal aguda (LRA). É estimado que em 15 a 27% das biópsias renais, realizadas para estudo etiológico de LRA, o padrão histopatológico seja NIA. A causa mais comum é a nefrotoxicidade farmacológica. Em alternativa, pode ser secundária a infeção, doença autoimune ou idiopática. A tríade clássica - febre, exantema e eosinofilia - está presente em apenas 5 a 10% dos casos. O diagnóstico assenta no elevado índice de suspeição clínica. A biópsia é o gold standard para o diagnóstico, mas pode ser dispensada em alguns casos.
Caso Clínico:
Doente de 25 anos, do sexo feminino, raça negra, com perturbação esquizoafetiva refratária a diferentes fármacos antipsicóticos, foi internada na enfermaria de Medicina Interna por síndrome de resposta inflamatório sistémica (sem eosinofilia), anemia e lesão renal aguda com acidose tubular do tipo 1 e proteinuria. O estudo etiológico permitiu a exclusão de causas infeciosas relevantes para os achados clínicos, doenças linfoproliferativa e autoimune. Foi realizada biópsia renal que documentou infiltrado linfoplasmocitário tubulointersticial, com áreas de fibrose. O tratamento consistiu na suspensão da clozapina, iniciado 2 meses antes da apresentação. O desfecho clínico foi favorável com normalização da função renal, hematócrito e reversão da resposta inflamatória sistémica.
Discussão:
A NIA secundária a fármacos é uma reação idiossincrática, pelo que é independente da dose e o tratamento consiste na suspensão do fármaco envolvido. A utilização de corticoides é controversa. É interessante notar, que o grau de disfunção renal na apresentação e extensão de envolvimento intersticial (inclusive a presença de fibrose) não se correlacionam com o prognóstico. Estão descritos na literatura cerca de uma dezena de casos de NIA induzida por Clozapina. Na maioria (80%), a febre e proteinuria estão presentes; a eosinofilia foi documentada em metade dos casos.
A NIA é um efeito adverso da clozapina raro, porém importante. Os autores consideram fundamental a monitorização da função renal após o início do fármaco.