23

24

25

26
 
ENDOCARDITE INFECIOSA DE UMA VÁLVULA ESQUECIDA
Doenças cardiovasculares - E-Poster
Congresso ID: P144 - Resumo ID: 390
Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/ Espinho
Gabriel Atanásio; Maria Ana Canelas; Joana Mascarenhas
A endocardite infeciosa (EI) é uma doença rara, mais prevalente em doentes com anomalias estruturais cardíacas. A apresentação clínica é variável e tipicamente existe febre associada a um síndrome constitucional. Face à apresentação inespecífica foram criados os critérios de Duke que tornam o diagnóstico mais objetivo. Além do exame físico são necessárias hemoculturas (HC) e avaliação imagiológica das válvulas. O exame mais sensível e específico para o diagnóstico de endocardite infeciosa é o ecocardiograma transesofágico (ETE), mas uma maior dificuldade logística e técnica levam a que seja realizado apenas nos casos em que o ecocardiograma transtorácico (ETT) é negativo. A EI atinge preferencialmente as válvulas mitral e aórtica seguindo-se-lhe a válvula tricúspide. Raramente, pode haver atingimento da válvula pulmonar, melhor visualizada por ETT, devido à sua posição anterior e superior relativamente à válvula aórtica. Apresenta-se um caso clínico de um doente com diagnóstico de EI da válvula aórtica e pulmonar.
Homem de 62 anos com antecedentes de comunicação interventricular membranosa admitido por síndrome constitucional com 6 meses de evolução associado a picos febris ocasionais; TAC abdominal feito em ambulatório com lesões hepáticas milimétricas sugestivas de metástases e provável enfarte esplénico. Ao exame físico era audível sopro continuo em todo o precórdio grau III/VI. Analiticamente com anemia normocrómica e normocítica e elevação dos marcadores de fase aguda com PCR 11,2 mg/dL e VS de 84mm/h. Radiografia de tórax e sedimento urinário sem alterações, ecografia abdominal com lesões nodulares sugestivas de hemangiomas. Colheram-se 2 sets de hemoculturas e ficou internado para vigilância e estudo etiológico. Manteve febre sustentada e ao 3º dia verificou-se crescimento microbiológico de cocos gram positivos, que viriam a ser identificados como Granulicatella adiacens, iniciando antibioterapia com ampicilina e Gentamicina. Foi solicitado ETE, pela alta probabilidade de EI, que viria a demonstrar vegetações na válvula aórtica associada a insuficiência aórtica e mitral graves. Foi proposto e aceite para cirurgia cardíaca que viria a realizar 4 semanas após início de antibioterapia. Efetuou substituição de válvula aórtica por prótese mecânica, plastia da válvula mitral e tricúspide e correção da comunicação interventricular. A cirurgia decorreu sem complicações tendo feito ETT de rotina onde era evidente vegetação de 6X7mm na válvula pulmonar, não descrita previamente, já com áreas de enfarte pulmonar em TAC de tórax. Manteve antibioterapia mais 3 semanas e repetiu ETT, mantendo a vegetação. Ponderado risco benefício, foi decidido manter o doente em vigilância não o submetendo a re-intervenção cirúrgica.
Os autores pretendem descrever um caso raro de endocardite da válvula pulmonar e reforçar a importância de avaliação ecocardiográfica de todas as estruturas valvulares, demonstrando o papel do ETT no diagnóstico de endocardite.