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DIABETES INSÍPIDA E LÍTIO – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
Doenças endócrinas, metabólicas e nutricionais - E-Poster
Congresso ID: P253 - Resumo ID: 40
Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra - Hospital Geral
Cristina Martins, João Pina Cabral, Pedro Ribeiro, Jorge Fortuna, Armando Carvalho
Introdução: A diabetes insípida (DI) caracteriza-se pela incapacidade dos rins em concentrar a urina, resultando na produção diária de mais de 3L de urina diluída (osmolalidade inferior a 300 mOsm/kg). Pode resultar de uma deficiência absoluta ou relativa da hormona antidiurética (HAD) ao nível do hipotálamo e hipófise posterior (DI central), ou de uma resistência à sua acção nos ductos colectores renais (DI nefrogénica).
Caso clínico: Doente de 66 anos, do sexo feminino, com antecedentes de esquizofrenia e demência associada, dependente nas actividades de vida diária, sob terapêutica prolongada com memantina, olanzapina, haloperidol decanoato e carbonato de litío, internada no Serviço de Medicina Interna por pneumonia. À admissão no Serviço de Urgência foi constatada presença de hipernatrémia (157 mmol/L), interpretada como secundária a desidratação, com início de correcção com água livre, através de sonda nasogástrica. Durante os primeiros dias de internamento, e já após adequada hidratação e evidente correcção da volémia, manteve a hipernatrémia (de cerca de 155 mmol/L) com débito urinário diário de cerca de 4L. A osmolaridade sérica era elevada (345 mOsm/Kg), à custa da hipernatrémia, e a osmolaridade urinária era baixa (219 mOsm/Kg). Assumido, neste contexto, diagnóstico de DI, realizou-se prova terapêutica com desmopressina: determinação inicial de osmolaridade urinária, com administração posterior de 2µg de desmopressina intramuscular, com avaliação e registo da osmolaridade urinária e do débito urinário aos 30, 60, 90 e 120 minutos. Verificada manutenção do débito urinário elevado e de uma osmolaridade urinária baixa (variação inferior a 50%), ao longo de todo o tempo após administração da desmopressina, compatíveis com uma DI de origem nefrogénica. Foi assumida como causa mais provável a toma de lítio, apesar dos níveis séricos normais (0,2mg), pelo que a medicação foi suspensa, iniciando-se indometacina, 50 mg, de 12/12h, associada a reforço da hidratação. Houve melhoria da natrémia (à data de alta: 137 mmol/L) e do débito urinário.
Discussão: A DI nefrogénica (DIN) ocorre devido a uma resistência do rim à acção fisiológica da HAD, que resulta numa poliúria hipotónica. O carbonato de lítio é uma das causas mais comuns de DIN, ocorrendo em quase 20% das pessoas medicadas com este fármaco, que reduz a sensibilidade dos túbulos renais à HAD, por redução da quantidade de receptores V2 e de aquaporinas dos mesmos. Diuréticos como o amilorido e anti-inflamatórios não esteróides, em particular a indometacina, têm sido usados para tratamento da DIN induzida pelo lítio, com boa resposta.